Uma casa entre a montanha e o mar.
Em Afife, onde a paisagem se constrói entre a serra, os campos agrícolas e a proximidade do Atlântico, esta casa procura estabelecer uma relação serena com o lugar. Pensada como habitação de férias, organiza-se em torno da permanência ao ar livre, entendendo o exterior como uma extensão natural da vida doméstica.
A casa desenvolve-se num único piso habitável, dividido em dois volumes que formam um "L". Esta configuração cria um espaço exterior resguardado, onde se concentram a piscina, o terraço e os principais momentos de convívio. Mais do que separar funções, os dois braços da casa definem diferentes graus de privacidade, distinguindo a área social dos espaços mais íntimos, sem perder a continuidade visual entre ambos.
O percurso inicia-se num pátio de entrada protegido por muros, que estabelece uma transição gradual entre a rua e o interior. A sala, a cozinha e a zona de refeições abrem-se amplamente sobre o jardim, enquanto o quarto principal e o estúdio encontram um maior recolhimento. A cobertura acompanha este movimento: o pé-direito inclinado nasce mais alto nas fachadas mais encerradas e desce em direção aos grandes vãos, prolongando-se para o exterior e criando zonas de sombra que tornam menos evidente o limite entre dentro e fora. A casa é assim pensada para ser vivida de forma contínua entre o interior e o jardim, tirando partido da luz, da ventilação cruzada e do clima de Afife.
A escolha dos materiais reforça essa relação com o lugar. As paredes brancas evocam a arquitetura tradicional do litoral minhoto, refletindo a luz intensa e dialogando com a atmosfera marítima. Sobre elas, a cobertura tradicional em telha de barro assume uma presença leve e discreta. 
Mais do que desenhar uma casa de férias, o projeto procura desenhar um modo de habitar o lugar. Um espaço onde o ritmo do dia é marcado pela luz, pelo vento e pela paisagem, fazendo da arquitetura um enquadramento discreto para a experiência de viver entre a montanha e o oceano.
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