Uma casa entre paredes.
Num lote com cerca de dois metros de largura, no centro histórico ribeirinho de Viana do Castelo, a arquitetura nasce da necessidade de transformar uma condição extrema numa forma de habitar contemporânea. A intervenção reconstrói e amplia a pequena habitação existente, acrescentando um piso superior e devolvendo-lhe uma escala compatível com a vida quotidiana, preservando a relação da casa com a rua e com a memória do lugar.
A organização da casa é simples. O piso térreo acolhe os espaços comuns, prolongando-se até ao pequeno logradouro voltado a sul, enquanto o piso superior concentra os quartos. Entre ambos, a escada deixa de ser apenas um elemento de circulação para se tornar o centro da casa. Iluminada por uma claraboia, leva luz e ventilação ao núcleo mais profundo da habitação, fazendo da verticalidade a principal qualidade espacial do projeto.
A intervenção procura equilibrar permanência e transformação. A fachada principal preserva a escala e a construção em granito existente, enquanto o novo piso superior se recua da rua, consolidando a frente urbana sem competir com ela. No tardoz, a linguagem torna-se mais contemporânea através da utilização da chapa ondulada pintada de azul, um material que procura estabelecer uma ligação discreta à identidade ribeirinha da cidade. Presente em antigos armazéns, embarcações e construções ligadas ao trabalho dos pescadores, a chapa faz parte da memória quotidiana deste lugar. A sua utilização não pretende reproduzir essa imagem, mas reinterpretá-la, atribuindo-lhe uma nova expressão doméstica.
Mais do que responder às limitações de um lote excecionalmente estreito, o projeto procura demonstrar que a qualidade de uma casa não depende da sua dimensão, mas da forma como a luz, a matéria e a memória do lugar são capazes de transformar um espaço mínimo num lugar para habitar.
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