Menos um espaço para falar do que um lugar para ouvir.
A arquitetura de um auditório raramente se mede pela quantidade de elementos que acrescenta, mas antes pela sua capacidade de desaparecer. Quando funciona, deixa de ser protagonista para permitir que a palavra, a imagem ou o silêncio ocupem o centro da sala. A intervenção neste auditório, localizado no edifício da Administração Central do Serviço Nacional de Saúde, parte precisamente desse princípio: reduzir o ruído — visual, espacial e material — para reforçar a experiência coletiva de quem o utiliza.
A proposta reorganiza o espaço através de uma nova disposição da plateia e de uma circulação mais clara, tornando a utilização intuitiva e garantindo as condições de acessibilidade exigidas a um equipamento contemporâneo. Mais do que alterar a configuração existente, procura estabelecer uma relação equilibrada entre quem apresenta e quem assiste, aproximando ambos num espaço pensado para a formação, a partilha de conhecimento e o debate.
A luz, a acústica e a matéria tornam-se os principais instrumentos do projeto. O controlo da luminosidade responde à alternância entre a projeção, a leitura e a permanência prolongada, enquanto os revestimentos, as cortinas e o mobiliário — cuidadosamente desenhado e selecionado — contribuem para criar uma atmosfera silenciosa, confortável e coerente. As texturas e a paleta cromática procuram não impor uma identidade, mas construir um fundo neutro onde diferentes acontecimentos possam encontrar o seu lugar.
Mais do que renovar um auditório, a intervenção procura devolver-lhe a qualidade essencial de um espaço público: oferecer as condições para que a atenção se concentre naquilo que verdadeiramente importa — as pessoas, as ideias e a comunicação entre ambas.
@fotografia_Fábio Cunha